segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O vestido de um ombro só


Além de costurar, gosto muito de filosofar. Filosofia barata, é bom esclarecer. O que gosto é de pensar sobre as coisas.

Depois que comecei a costurar, volta e meia esse é o tema dos meus pensamentos e fico horas viajando sobre o quanto a costura é um processo profundamente completo.

Para costurar é preciso criar, raciocinar, medir, fazer conta, fazer de conta, ter noção espacial e estética, ter habilidade manual, de coordenação, de interpretação e ter capacidade de abstração. Então, nega, você tem que saber matemática, geometria, arte, interpretação de texto, raciocínio lógico. E até saber falar outras línguas ajuda, pois podemos interpretar moldes e técnicas de outros países.

Ufa, tudo num negócio só? Sim, mas a sincronicidade dos conhecimentos é tão perfeita dentro do processo que nem percebemos direito sua complexidade. Graças ao prazer que ele proporciona.

E como se não bastasse, ainda temos a oportunidade de sermos sempre criativas e fazermos algo original. No final, dá sempre vontade de beijar os dedos estaladamente e dizer: uh-la-la!

E isso não acontece só quando você faz uma peça perfeita não. Mesmo no meu primeiro projeto - uma saia sem zíper nem nada, que tinha a costura torta e que precisava ser colocada pela cabeça - eu tinha a sensação arrebatadora de orgulho e realização quando eu a usava.

É assim que me sinto agora, depois de concluir meu vestido-de-um-ombro-só-coisa-mais-linda-da-mamãe.
Tem feito bastante frio aqui em Brasília, mas eu não consigo tirá-lo do corpo. Saio na rua super feliz da vida, desfilando um sorrisão e com excesso de amor-próprio, como se todos ali pudessem saber que ele foi feito por mim. E, no fundo, pouco importa se eles não sabem.

Para mim, é suficiente o processo em si, de tão completo que ele é. De tão completa que me sinto.




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10 comentários:

  1. Eu sei muito bem o que é tentar fazer e não dar certo. Aparentemente parece ser simples fazer uma roupa, nas não é.
    Outro dia estraguei um tecido lindo, tentei fazer uma saia, sem molde, ficou horrível, não consegui nem terminar.
    Agora estou num projeto de vestido tb, tirei o molde da revista Burda, apesar de ser em português de Portugal, fiquei quebrando a cabeça pra entender como montar cada parte. Já estou pensando até em mudar um pouco o modelo pra Simplificar, vamos ver no que que dá...
    Lets

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  2. Lets, mas esse movimento de quebrar a cuca é o que eu adoro!
    Costurar é tão desafiador, que no fim das contas, o projeto é um troféu. Quem não costura pode não entender a importância que tem a peça pronta.
    O resultado final significa um tempo imaginando, medindo e fundindo a cabeça de tanto pensar e interpretar.

    Mas perder tecido faz parte, já estraguei vários. =)
    Só não podemos deixar de inventar!

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  3. Olá,

    Encontrei o seu blog atrás de uma pesquisa no google dos quadrinhos Keep Calm. Adorei seu blog, amo costuras. Sempre que puder vou lhe visitar. Sucesso.

    Beijos

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  4. Fran,
    seja sempre bem vinda, flor!

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  5. Mila! Que produções maravilhosas! É para ficar muito orgulhosa mesmo! Já pensou em ser modelista particular? Quero ser sua cliente!!! bjs

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  6. Muito agradecida, Rívia. Saudades de você, hein!

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